Vacinação nas farmácias enfrenta reação

Data: 13/07/2017

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está elaborando uma nova regulamentação para tratar dos requisitos mínimos para o funcionamento dos serviços de vacinação no país, permitindo, inclusive, que farmácias apliquem vacinas - o que vem vendo uma preocupação das entidades médicas.

 

Para as associações ligadas à medicina, a resolução, que já passou por consulta pública, se aprovada, pode precarizar o serviço de vacinação ao possibilitar que farmácias também atendam essa demanda, colocando a saúde da população em risco já que a medida poderia reduzir as exigências atuais para a prestação dessa atividade.

 

Atualmente, somente clínicas especializadas em vacinação têm permissão para cumprir essa tarefa, além do Sistema Único de Sáude (SUS).

 

Para o presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Serviço de Saúde do Pará (Sindesspa), Breno Monteiro, a resolução é um grande retrocesso porque as farmácias não têm condições para oferecer os serviços com a segurança necessária.

 

A legislação vigente exige que para disponibilizar serviços de vacinação, clínicas e consultórios devam ter cadeia fria para armazenar as vacinas e espaço mínimo de 30 metros quadrados. “As farmácias de Belém não comportam esta estrutura”, alertou.

 

De acordo com o especialista, o que falta em relação à vacinação não são novos postos e locais de atendimento, mas conscientização da população para a importância da imunização. Para ele, a resolução da Anvisa vem em um momento ruim para os serviços de imunizações, marcado por intensas campanhas de movimento anti-vacinação. “Nós somos radicalmente contra esta mudança na legislação, que vem em um momento péssimo, com muitas campanhas contra a vacinação. Qualquer equívoco ou eventos adversos, que as farmácias não estão aptas para resolver, seria uma tragédia tanto em termos individuais, para quem receber a vacina, quanto para o sistema de saúde como um todo”, preveniu. “Vão aplicar vacinas nos balcões, trazendo riscos e qualquer reação vai alarmar ainda mais a população, como aconteceu com a vacinação contra o vírus HPV nas escolas, que também não deu certo em função da ausência de estrutura e preparo. Então, é jogar no lixo todo um programa de vacinação que funciona. Trazer os serviços de vacinação para as farmácias é um problema de responsabilidade civil imenso e muito preocupante”, frisou

 

Fonte: ORM News

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