Gestão da mudança e o desafio da liderança colaborativa

Data: 18/07/2016

Rubens Covello

CEO | IQG Health Services Accreditation

Um executivo de hospital, certa vez, me chamou para dizer: “vou acabar com essa história de acreditação, isto que inventaram é só custo e até o meu faturamento diminuiu”. E eu achando que ele tinha me convidado para reunião para falar das melhorias que ele tinha conseguido em tão pouco tempo. O desabafo me pegou de surpresa, afinal, a instituição dirigida por ele apresentava, naquele momento, melhorias expressivas de qualidade e segurança do paciente. “Estamos perdendo dinheiro”, ele continuou.

 

Mas como assim?

Ocorre que, fora de seu campo de visão, estava se esboçando um novo modelo assistencial com redesenho de processos, transparência da governança, envolvimento dos colaboradores na estratégia da instituição e o posterior aumento da rentabilidade. Este gestor estava com sua a atenção limitada à perspectiva de curto prazo e a uma conduta de liderança que não mais é capaz de conduzir pessoas e organização ao futuro. Esse é o líder antigo, acostumado e acomodado a um modelo assistencial centrado na patologia, produtor de procedimentos e dependente de tecnologia e custos elevados.

 

No momento em que não temos como resistir à desconstrução dos paradigmas que por tanto tempo nortearam o funcionamento da Saúde, a capacidade de sensibilizar a alta administração e engajá-la na gestão da qualidade torna-se essencial. É a partir desta que as transformações começam a fluir. Por isso, listei a seguir os dez princípios de liderança colaborativa que não podem faltar quando o foco é a gestão de mudança.

1. Lidere com a cultura da instituição: o líder de que precisamos nos dias atuais entende que, acima de sua autonomia, existem os princípios da organização - e eles devem ser preservados e incentivados.

 

2. Comece no topo: um dia você aprende que não adianta promover um processo de qualidade, gerenciamento de riscos e segurança do paciente sem, antes, sensibilizar a alta administração. Acredite: não vai dar certo.

 

3. Envolva todas as camadas: mais do que nunca, a valorização e o envolvimento das pessoas, em todos os níveis da instituição, são fundamentais no processo de gestão de mudança.

 

4. Trabalhe o racional e o emocional juntos: quando falamos da oferta de serviços, em especial em um setor tão complexo quanto o nosso, processos, padrões e normas não bastam; é preciso sensibilidade para perceber, analisar e decidir.

 

5. Atue coerentemente com a proposta de mudança: um item praticamente autoexplicativo - não há outra maneira de fazer liderança, a não ser pelo exemplo.

 

6. Promova engajamento sustentado: mais do criar envolvimento, é preciso cultivá-lo. Assim como um relacionamento de qualquer natureza, necessita de atenção e dedicação constante e consistente.

 

7 - Lidere os líderes informais: eles são multiplicadores, formadores de opinião, e permeiam toda a instituição.

 

8 - Implemente soluções formais que suportam o processo: há uma série delas, relacionadas, por exemplo, à estrutura, sistema de recompensa e treinamentos. Uma instituição não caminha sem elas.

 

9 - Implemente soluções informais: não menos importantes do que as soluções formais, essas ideias não precisam de burocracia, rigor e padrões para florescer. Criatividade e simplicidade também são poderosas ferramentas para resolução de problemas.

 

10 - Monitore resultados, analise e se adapte: no fim do dia, isso significa pensar que, quanto melhor o resultado da assistência, mais expressivos são os ganhos. Para todos.

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