Empregos no Pará ainda dependem de investimento público

Data: 03/04/2019

A criação de novas vagas de emprego no Pará depende dos investimentos dos governos estadual e federal, além de um ambiente de negócios mais propício, segundo avaliação do presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo no Estado do Pará (Fecomércio), Sebastião Campos, e do vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa), José Maria Mendonça.

 

Entre as medidas necessárias, de acordo com os especialistas, para que mais pessoas encontrem espaço no mercado de trabalho, estão o incentivo ao setor produtivo estadual, a continuidade do crescimento na economia, redução dos entraves na administração pública e a criação de novos projetos e programas que colaborem para o aquecimento do cenário econômico. Mendonça ainda acredita que é necessário desenrolar projetos estagnados e investir em áreas além da mineração.

 

De acordo com um estudo divulgado pela Fiepa, a expectativa de geração de empregos no Estado do Pará em 2019 é grande nas áreas do comércio, serviço, indústria, agricultura, saúde, logística e, principalmente, mineração. Na avaliação do economista Nélio Bordalo, as potencialidades da região, agregadas aos investimentos de instituições privadas, devem ser determinantes na aberturas de novas vagas.

 

Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, o mês de fevereiro apresentou alta no número de postos de trabalho no Pará. O mercado expandiu, com mais 23.802 vagas com carteira assinada no último mês, gerando saldo positivo de 637 novos empregos.

 

Entre os setores que mostraram um bom cenário para quem procura espaço profissional, o comércio foi o que mais cresceu. No total, mais de 7 mil foram contratados e mais de 5 mil demitidos, o que representou um balanço de quase 2 mil novas vagas em fevereiro. Já na área de serviços, foram 1.195 trabalhadores novos, já que mais de 7 mil foram demitidos e mais de 8 mil contratados. Bordalo acredita que, com cenário interessante na economia paraense, o comércio possui peso considerável na criação de emprego e renda.

 

Para 2019, a expectativa do setor é positiva. Na opinião do presidente da Fecomércio, Sebastião Campos, mais pessoas devem ser contratadas este ano do que no anterior, que teve saldo positivo de 15.286 empregos com carteira assinada no Estado. “Diante da crise nos últimos anos, mesmo com a vantagem de 2018, os empresários ainda não conseguiram se recuperar. O que atrapalha são as dificuldades para conseguir crédito e os juros elevados. Fora isso, mais da metade dos consumidores têm dívidas para pagar pelos próximos cinco meses. Mesmo assim, o comércio venderá mais que ano passado - entre 6 e 8%”, opinou o presidente.

 

Um estudo divulgado pela Fecomércio mostrou que 52% dos empresários pretendem ampliar os investimentos no ano e 73% afirmaram que irão realizar novas contratações. De acordo com o economista Nélio Bordalo, o “comércio e serviço são as áreas que mais geram Produto Interno Bruto (PIB) para o Estado. Neste segundo, a gastronomia é uma atividade que tem crescido, por causa das peculiaridades da culinária paraense. Outra aposta é a construção civil, que retoma, lentamente, as atividades no Pará, impulsionadas pelas obras que estavam paralisadas e por novas construções”, explicou o especialista.

 

Conforme explicado pelo presidente do Sindicato da Indústria da Construção do Estado do Pará (Sinduscon), Alex Carvalho, o cenário local neste setor ainda é instável, enfrentando reflexos de gestões governamentais anteriores e baixas econômicas. Ele explica que isso acontece por conta da falta de recursos, falta de crédito no segmento imobiliário e baixo interesse de investimento por parte do setor privado. “É muito volátil, todo mês temos pontos positivos e negativos. Queremos ter capacidade de investir em políticas habitacionais de acordo com a demanda do Estado. Temos expectativas de abrir novas vagas, mas também depende dos fatores nacionais. Sem a instabilidade, o setor da construção civil desponta na frente dos demais. Apesar de tudo, acho que vai ser um bom ano”, comentou Carvalho. Na opinião do presidente da Fiepa, as quedas no setor da construção civil são prejudiciais ao Estado, pela quantidade de empregos gerados.

 

Já na agropecuária, são cerca de 1.500.292 milhões de pessoas inseridas no mercado, o que corresponde a 42,68% dos trabalhadores no Estado do Pará. As perspectivas para o setor neste ano são positivas e sugerem novos recordes de produção, de acordo com a Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa). O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que projeções otimistas aguardam o setor neste ano, já que a próxima safra de grãos e oleaginosas será a segunda maior da história, perdendo apenas para a de 2017.

 

Não faltam empregos na área da saúde no Brasil

 

A área da saúde é responsável por movimentar empregos em todo o Brasil, e no Pará não deve ser diferente neste ano. Em 2018, o levantamento do Caged mostrou que houve saldo positivo de 88.981 postos de trabalho no setor - 16,8% de todos os trabalho formais criados no país durante o ano. Conforme explicado pelo presidente da Confederação Nacional da Saúde (CNSaúde), Breno Monteiro, a área ainda tem muito a contribuir com a recuperação da economia e geração de emprego na região Norte.

 

“Nossas avaliações para 2019 dependem de uma conjuntura política e econômica, mas nunca falta emprego. Em todos os anos de pesquisa, nosso saldo de postos de trabalho nunca ficou negativo. O mercado sempre está contratando nossos profissionais, e um dos motivos para esse fenômenos é que a saúde é um dos poucos segmentos em que a tecnologia não substitui o ser humano. Apesar dos avanços em máquinas e equipamentos, é necessário ter alguém capacitado operando, então o emprego não fica ameaçado”, explicou. Na opinião dele, em todo o Brasil, o número de empregos ofertados no setor deve alcançar os 100 mil.

Fonte: O Liberal.com

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