Covid-19 causou queda recorde em atividades de saúde no PIB, diz FGV

Data: 22/06/2020

A crise causada por covid-19 levou as atividades de saúde, dentro do Produto Interno Bruto (PIB), às piores quedas em 20 anos. Isso porque, com as restrições de circulação de pessoas, uma das ações implementadas para inibir contaminação pelo novo coronavírus, caiu drasticamente número de consultas e de exames laboratoriais desde meados de março, explicou Claudio Considera, economista da Fundação Getulio Vargas (FGV).

 

Ele fez a observação ao comentar o desempenho do Monitor do PIB da FGV, anunciado hoje. No levantamento, a atividade em abril caiu 9,3% ante março, com recuo de 13,5% ante abril do ano passado, e queda de 6,1% no trimestre móvel encerrado em abril ante trimestre encerrado em janeiro.

 

Na mesma pesquisa, em abril, a atividade de saúde pública caiu 11% ante abril do ano passado, e a de saúde privada, recuo de 13,3%, na comparação com abril do ano passado. Ambas foram as mais intensas retrações da série histórica iniciada em 2000, afirmou Considera.

 

A saúde pública tem fatia de 13% na atividade de administração pública, e contribuiu com 2,9 ponto percentual negativos para a retração de 1,2% naquela atividade em abril ante abril de 2019. Já a saúde privada representa 15,1% da atividade "outros serviços" e contribuiu com 1 ponto percentual negativo para a queda de 19,3% na atividade, também em abril ante abril de 2019. Até então, a pior queda em "outros serviços" tinha sido de março de 1992, de 16,6%, acrescentou Considera.

 

Ele comentou que o quadro delineado nas atividades de saúde é um exemplo do tombo observado nas atividades de serviços como um todo em abril. Isso, na prática, será mais um componente negativo para desempenhos futuros do PIB, notou ele. A saúde pública e a saúde privada representavam 4,3% do PIB em 2017, sendo a saúde pública responsável por 2%, e a saúde privada por 2,3%.

 

"As pessoas devido à pandemia não vão mais tanto a ambulatórios, adiam consultas. Não recorrem mais à exames laboratoriais", comentou o pesquisador. "Pode ser que a parte de internação tenha crescido [devido à pandemia] mas não o suficiente para compensar as quedas [nos outros segmentos de saúde]", completou ele.

 

Outro aspecto citado por ele foi o impacto, nos tributos, da retração na economia de serviços, causada por covid-19. A queda de impostos sobre produtos e serviços, basicamente IPI e ICMS, foi de 22,3% em abril ante abril do ano passado, também recorde. Até então, a pior queda registrada nesse quesito tinha sido de março de 1996 (-12,9%).

 

Entretanto, o economista reiterou que, tanto o desempenho negativo do PIB, delineado pelo Monitor, quanto as taxas referentes à atividade da saúde atingiram "fundo do poço" em abril. "Em maio, deve ficar menos pior" disse o especialista, lembrando as notícias de reabertura gradual da economia, já sinalizadas em algumas capitais, que devem contribui para taxas menos desfavoráveis em maio.

 

Fonte: Valor Econômico

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