Como maternidades brasileiras estão conseguindo reduzir taxa de cesáreas

Data: 05/01/2017

Mariana Della Barba

Há anos o Brasil vinha tentando implementar medidas para lidar com a epidemia de cesáreas que atinge o país. Em vão.

Nos últimos oito anos, as taxas desse tipo de parto nos hospitais particulares - onde o problema é mais grave - variaram apenas um ou dois pontos percentuais e ficaram em torno dos 84%.

O índice é considerado alarmante e alavanca o Brasil para o posto de país com mais cesáreas no mundo.

Mas uma iniciativa chamada Parto Adequado vem conseguindo resultados positivos. As 26 maternidades que integram o projeto conseguiram derrubar a taxa de cesárea em uma média de 24% em pouco mais de um ano.

Ou seja, se antes a cada 100 partos 21 eram normais, hoje o número saltou para 37 em pouco mais de um ano.

Alguns dos hospitais conseguiram inclusive bater a meta de 40% de partos normais. É o caso do Nipo-Brasileiro, em São Paulo, que passou de apenas 15% de partos normais para 50%.

O projeto inclui iniciativas em várias frentes, mas uma das principais mexe com um fator que até então era quase intocável: o bolso dos planos de saúde, dos médicos e dos hospitais.

A mudança na forma de remuneração está ligada a novas maneiras de organizar o trabalho médico, e assim estimular o parto normal. Isso porque o modelo brasileiro para quem tem plano de saúde é considerado insustentável, segundo especialistas.

Nele, o médico do convênio escolhido pela gestante a acompanha no pré-natal e no parto - mas o valor que ele recebe pela cesárea (que exige cerca de três horas de assistência médica) ou pelo parto vaginal (que pode chegar a 10-12 horas, dependendo do ritmo do trabalho de parto) é semelhante.

Assim, acaba não compensando para o obstetra, financeiramente falando, aguardar a evolução de um parto normal.

Tabus

Para reverter essa lógica, a ideia do Parto Adequado é trabalhar com equipes, e não com um médico específico. Assim, o médico não ganha por procedimento (no caso, o parto) e sim por turno, não importando se ele vai ficar longas horas esperando a hora de o bebê nascer.

É o que acontece no Nipo-Brasileiro, que atende basicamente pacientes por planos de saúde.

"Cerca de 70% das pacientes fazem o pré-natal aqui e, assim, vão conhecendo os obstetras e enfermeiras da equipe. Elas já sabem que o parto pode ser com qualquer um dos obstetras, ou seja, o que estiver de plantão, e não um específico", conta o gerente médico do hospital, o obstetra Rodrigo Borsari.

Segundo ele, os números vindos com o crescimento do índice de partos normais ajudam a desmistificar tabus e a convencer as operadoras de saúde a aceitar o novo esquema de trabalho.

"Mostramos e comprovamos que, com menos bebês nascidos de cesárea, se reduz a taxa de internação na UTI (porque há menos prematuros) e o tempo de permanência da mãe na maternidade - e isso é vantajoso para todos", afirmou o obstetra.

FONTE: BBC BRASIL

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